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Artur da Távola Amar está correto como verbo. É ação. Amor deveria ser outro verbo. E o é no idioma da alma. Eu amoro, tu amoras, ele amora, nós amoramos, vós amorais, eles amoram. Assim é o verbo amor no presente. Fica inventado a partir de agora. Pode-se amar sem amor; amar com amor; desamar com amor. Existem: amor por quem se amou; amor por quem se ama; amor por quem se amaria. Porém não se pode amar quem se amou, ou quem se amaria. Só se ama a quem se ama. Amor não é igual a amar. Amar é estado ativo, e sua conjugação deveria ser imperfeita, só existir no presente e no gerúndio. As demais formas deveriam ser do verbo amor. Amor não é substantivo: é verbo subjetivo. Amar é presente, gerúndio, ativo, inebriante, pulsátil, vitalizador. Amor é mais amplo, profundo, generoso e calado. Existe até quando não mais se ama. E, até mesmo, quando não se ama. É sentimento profuso, amplo, capaz de existir ainda quando se deixa de amar. É presente mas passado, futuro. É indicativo e subjuntivo. "Eu amo" e "Eu sinto amor" não quer dizer o mesmo. O presente de amar não deveria ser amo e, sim "eu amoro", etc. Amo é o presente do verbo Amor. A plenitude só se dá quando amor e amar coincidem. Amar é calor. Amor é o sol. Amar é continente. Amor é conteúdo. Amar é buscar. Amor é saber. Amar é liberdade. Amor é sabedoria. Para se amar, não é necessário o amor. E, sem o amor, o amar passa. Quando existe amor, o amar é melhor. E pode durar. Amar por amor eis a perfeição. Amar é posse. Amor é doação. Amar foge. Amor reúne. Amar é delícia instintiva. Amor é milagre existencial. Amar tolda. Amor revela. Amar é alegria. Amor é felicidade. O amor sente. O amor sabe. O amar está. O amor é.
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