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Normando Moura (Coisas da Normandia) Outro dia, no Altas Horas, uma especialista (afim de promover mais um filme da Globo Produções) foi junto com o Caco Ciocler e Ingrid Guimarães defender aquelas pessoas que traem. Trair é normal e faz parte da vida foi a conclusão geral. Claro que os protestos do auditório e da vocalista do Babado Novo (nem sei o nome da guria que imita a Ivete Zangalo - coitada) também aderiu aos protestos, que fizeram os participantes dizerem que é normal, mas que a gente tem que tomar cuidado pra não magoar as pessoas e terminar a relação logo que se começa a esfriar, pra evitar uma traição casual (?). Bem, não defendo a tese medieval que diz que "casou? agora agüenta!", mas, é bem verdade que boa parte das separações e traições se devem à falta de humildade e o que os teólogos chamam de dureza do coração. Simplesmente achamos que temos o direito de ser feliz imediatamente e, para conseguir uma permissão de quem queremos conquistar fazemos, logo no início do relacionamento, promessas e planos para uma vida a dois longa e duradoura. Antes mesmo de se conhecer metade dos traços da personalidade. Aí, então, achamos que Pedro Bloch tava errado quando disse que somos senhores da palavra não-dita, porque da dita somos escravos. "Eu errei com você e só assim pude entender que o grande mal que eu fiz foi a mim mesmo", já cantava Marisa Monte. Em suma, somos mimados pela educação da segunda metade do século XX que diz que não precisamos ser tão disciplinados e que se dane o mundo se não concorda conosco. Os cuidados obrigatórios de namoro e noivado são considerados retrógrados e invasivos. E esquece-se que não podemos ser felizes de verdade se olharmos somente para nossos umbigos. Aquela história de regar a planta, todos devem ceder, e um sempre cede mais que o outro tiveram ligeira mudança e passam a ser: regue minha planta que tlavez eu regue a sua, você cede primeiro, e eu é que não vou abrir mão.
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