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Historicamente, o brasileiro é um descontente com os governos, embora espere demais deles e pouco fazem para reinvidicar o que acha seu de direito, não se mobiliza. Com o excesso de falcatruas que os políticos praticam como se fosse parte do ofício, cada cidadão minimamente informado passa a desconfiar de todos. O lado bom, principalmente depois da promulgação da Constituição de 1988, estamos perdendo o medo de protestar, de cobrar atitudes honestas dos governantes, de exigir que sejam respeitados os direitos que a lei nos dá, embora ainda timidamente. Esses protestos ainda são incipientes. Somos covardes e quase tão desonestos quanto os políticos que criticamos. Não perdemos a oportunidade de furar uma fila, de burlar o Fisco, de levar vantagem até naquilo que a princípio nos interessa, apenas porque a oportunidade nos oferece essa vantagem, de dar o malfadado "jitinho", de invejar o "mensalão" e por aí vai. Em ano eleitoral, esses protestos desorganizados e, muitas vezes, hipócritas se multiplicam. Espalha-se, por exemplo, a idéia do voto nulo. O tal voto nulo além de ineficaz é burro e covarde. Burro porque se forem maioria, as eleições são anuladas e os mesmos políticos poderão candidatar-se novamente para uma segunda campanha que em nada prometeria ser diferente da primeira. Seria apenas uma maneira de se adiar o inevitável. Burra pelos mesmos motivos e porque, mais uma vez o país pararia de funcionar, macularia ainda mais nossa imagem no exterior, afastando as empresas que por um acaso estudassem investir no país, gerando emprego e renda. É dar uma segunda chance para que haja corrupção de campanha, enriquecimento ilícito com as tais sobras, desvio de dinheiro público para as campanhas dos amigos do rei e do próprio rei, fora o fato de que nenhuma renovação seria garantida, uma vez que os candidatos seriam os mesmos. E covarde por serem medidas egoistas, tomadas por quem não tem coragem de falar publicamente contra quem ou o que quer que seja. Covardia de quem quer que algo mude, mas não tem coragem de candidatar-se e dar a cara a tapa ou que apenas se deixa guiar pelo populismo de alguns mais espertos. Covardia de alguns que aspiram um sistema anarquista sem analisar a praticidade de tal coisa. O que o bom cidadão tem que pensar em fazer, é analisar profundamente os curículos dos candidatos, usar de visão crítica - crítica e não simplesmente contestatória -, participar de discussões sérias e profundas e não de bate-papos de boteco em que se discute política com paixão, como se estivessem discutindo o jogo de futebol do último domingo, e votar naqueles que realmente têm idéias originais e aplicáveis e nãos nos que lhe prometem um emprego ou uma cesta básica.
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