"Dane-se. Comigo sempre foi tudo ao contrário".
Caio Fernando Abreu
23 de março de 2006

Amor Virtual:

Até que ponto é possível?


      As relações humanas estão passando por uma incrível mudança desde que começamos a utilizar a Internet. O e-mail, as salas de bate-papo, o ICQ, o messenger, a videocam vão facilitando as comunicações e criando uma nova forma de se relacionar: paquera virtual, namoro e amizade virtual, sexo virtual (masturbação, na real).

      Entendo que você pode paquerar, fazer novos contatos e amizades pela Net, mas no que se refere ao desenvolvimento da relação afetivo-sexual, esta linguagem deixa muito a desejar.

      Segundo o Aurélio, virtual é o que existe como faculdade, porém sem efeito atual. Suscetível de realizar-se; potencial. Por outro lado o amor é uma experiência tão real e só acontece de fato quando está relacionado com o momento presente. O amor não pode acontecer no passado, nem no futuro, pois assim ele não passa de algo ilusório.

      O computador acelera os contatos, mostrando-se um excelente veículo de aproximação e descoberta de novas possibilidades, mas pela sua natureza fria, é péssimo no que diz respeito ao sentir. Quando precisamos de sensibilidade e profundidade, a linguagem virtual não é adequada. Nada substitui os cinco sentidos e o contato direto na percepção da outra pessoa e principalmente, dos sentimentos que circulam entre você e ela.

      Vivemos num mundo onde tudo é editado. Na TV, no rádio, em todos os meios de comunicação, incluindo a Net, descarta-se o lado imperfeito e escuro da vida para apresentar somente o que lhe convém.

      Desta forma, quando alguém se apresenta no limitado universo virtual, mostra somente uma parte de si mesmo. E o mais comum, quando você sai do virtual, é a decepção ao constatar que sua fantasia era muito diferente da realidade.

      Vejo muitas pessoas se correspondendo pela Internet, com pouca coragem para um encontro cara-a-cara. Já vi gente chorando, descabelando-se, brigando, tendo ataques de ciúmes, delirando, tudo isso sem nunca ter visto o outro. São muitas promessas e pouca ação. Muita mente e pouco coração.

      Sem o contato direto, sempre estaremos propensos a relações ilusórias. Por isso é sábio reconhecer as qualidades do contato virtual usando-o no seu contexto. É mais barato e infinitamente mais rápido que o correio tradicional, é extremamente informativo, incentiva a leitura e a escrita. Mas também é inteligente entender os seus limites.


Sérgio Savian
E-mail: sergiosavian@mudancadehabito.com.br





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