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(Quando ele diz, mas não faz) Falar é fácil, fazer é outro departamento, já sabiam nossas tataravós bem antes de Freud tornar o inconsciente uma possante ferramenta de marketing. Do cérebro à boca a distância é curta e não é preciso esforço para dizer palavras doces que parecem mel e provocam pensamentos capazes de endorfinar a pessoa e arrastá-la para longe, bem longe, do bom senso. A questão que se coloca é: até que ponto você deve se empolgar com manifestações verbais que não são acompanhadas por ações? Entre aquilo que alguém diz e o que faz, fique com os atos da pessoa. São eles que falam mais alto. O fato é que existem pessoas que fazem da sedução um esporte em que o objetivo é manter o alvo cativo e cativado, numa espécie de jogo arcaico, dos tempos em que Casanova usava peruca e não havia luz elétrica nos castelos cheios de luxo e assombrações. Ninguém merece tentar entender por que ele combinou ligar e não apareceu, se disse apaixonado e sumiu, marcou um jantar e mudou de idéia, esquentou a relação e caiu fora, se declarou seu namorado e saiu com outra, cantou e não tomou atitude, jurou que você era tudo de bom que buscava numa mulher e não fez nada. Ninguém merece patinar em pistas frágeis, escorregadias, que, a qualquer momento, podem se transformar em água. Antes de ensaiar uma coreografia no gelo, é preciso testar a superfície, para não dançar antes da dança. Checar se o sujeito é confiável, se é o do tipo que cumpre promessas, que só se compromete com aquilo que pretende levar adiante é medida profilática. Ou seja: se o cara fala e nada faz, fique esperta. Tanto no amor como na vida, sem ação nada acontece. Nada de buscar justificativas para ajustar a retórica ao que não tem lógica. A verdade tem luz própria e não adianta cobrir espelhos com belos véus, pois quem vai pagar a fatura nos final das contas é você. Responda rápido: quanto tempo é necessário para perceber uma cilada e cair fora? Dizem que o nosso inconsciente precisa de apenas uns poucos segundos para diagnosticar se pode ou não rolar uma relação com o sujeito, antes mesmo do final de um primeiro encontro. Enquanto a mente consciente se esforça para relevar os indícios do perigo, lá no fundo você já sabe. Então, por que ficar se enganando, achando que ele vai mudar, que as coisas vão ser diferentes, que vão ser felizes para sempre, quando tudo o que há é uma repetição de padrões, um vaivém de promessas e desculpas, de erros e arrependimentos? Acorda jacaré, se não quiser virar bolsa em vitrine. Sair fora enquanto é tempo é a única escolha possível quando se quer apostar na idéia da felicidade. Dói. O tempo fecha, você fica sujeita a vários e imprevistos efeitos colaterais. Pode parecer que não vai passar nunca. A boa notícia é que passa, e que os amores vão e vem, mas a capacidade de amar é sua. Respire fundo, olhe dentro dos seus olhos e reconheça que você merece o melhor. Se não fizer novas escolhas e seguir em frente, sua vida vai continuar a mesma. E você vai seguir usando a sua energia tentando se equilibrar na corda bamba de um relacionamento falido, fadado a se romper e lançá-la ao chão. Tome uma atitude enquanto é tempo - e o bom é que hoje é sempre o melhor momento, o tempo certo para fazer a coisa certa. Por mais medo que você tenha de ficar sem ele, de viver sozinha, de não encontrar outro, uma coisa é certa: ninguém perde aquilo que não tem. Investir num cara que não faz o que promete, que fala, mas não age, é jogar fora seu capital amoroso para investir numa massa falida. Esse cara não fechou com você. Ao insistir num relacionamento cenográfico não vá se queixar depois de ter se tornado personagem de uma cidade cenográfica abandonada, onde não passa ninguém, porque a novela saiu do ar e só você não notou.
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