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6 de janeiro de 2007
CarênciasUma coisa é ser frágil, outra coisa é ter necessidades e uma terceira é tornar o parceiro(a) responsável por elas. Isto significa que é preciso aprender a satisfazer suas necessidades e carências com, sem ou apesar do outro.
Se seu(sua) companheiro(a) não está disposto a lhe dar algo, experimente mudar o jeito de pedir, procure um momento mais adequado ou, simplesmente não tente tirar leite de pedra.
Antes de reclamar, observe se está reclamando com a pessoa que está incomodando você, da atitude que realmente o incomoda, no momento e da maneira adequados.
Muitos casamentos estruturam-se sobre a miragem de que um vai suprir todas as necessidades do outro, o tempo todo e para sempre. O resultado dessa idealização são muitas separações e casais infelizes.
Ninguém é completo para você, por mais sensacional que seja. Aprenda a se relacionar com pessoas de verdade e não exija que o parceiro seja um(a) semideus(a). É importante distinguir o que é fundamental no relacionamento. As demais necessidades você pode suprir com outras pessoas.
Por exemplo, para algumas pessoas, o fato de o outro não se interessar por arte é uma fonte de angústia. Que tal aceitá-lo(a) gostando do seu esporte e convidar seus amigos artistas para uma conversa noite a dentro?
Ou quando ele detesta vida noturna e ela adora. Será que vale a pena exigir que ele a acompanhe? Se ele for à danceteria só porque ela cobrou, certamente ficará de mau humor, consultando o relógio e vigiando os olhares dos outros homens. Já que ela gosta de dançar, por que não sair com os amigos ou aproveitar para assistir o último filme do Bergman (de quem, por sinal, ela não gosta?)
Por outro lado, nada os impede de ir ao cinema e à danceteria, desde que de boa vontade. Sem grandes sacrifícios, exigências ou culpas.
Como se vê, o amor verdadeiro não se importa se os amantes vão ao cinema ou à Lua, juntos ou separados. O amor só quer se realizar.
Às vezes uma pessoa vive a infância, a juventude e o casamento sem o amor que desejava. Então, quando encontra alguém, passa a exigir que ele preencha todas as suas carências afetivas.
É como se a pessoa dissesse: "Agora que eu estou com você, quero o amor que não tive em todos esses anos". E se atira sobre a outra como um náufrago se agarra a uma tábuas. A outra pessoa não agüenta. Ambos se afogam.
Pode ser até que a pessoa resolva enfrentar o desafio: "Tudo bem, eu lhe dou o amor que você não teve na vida". Provavelmente não conseguirá. Depois de algum tempo (em geral, bem pouco tempo), largará o náufrago, para poder sobreviver. Mesmo que não o abandone, ficará eternamente insatisfeito(a) por não conseguir atender as necessidades do(a) companheiro(a).
Isto é básico: entre em qualquer relacionamento com o coração aberto para começar um novo amor, não para satisfazer carências do passado. Se você perdeu algo em sua vida, é importante assimilar esta perda, compreender que isso passou. Imagine que você não se alimentou bem no mês anterior. Certamente, não vai querer compensar tudo em um único almoço!
Por isso, não é produtivo cobrar dívidas que o outro não contraiu. Assuma a falta de amor dos últimos anos e adote uma postura de cooperação para viver os próximos anos com amor.
 Roberto Shinyashiki Do livro "Amar Pode Dar Certo", Editora Gente.

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